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Azeite – Ira

27 de novembro de 2008 por Kris Arruda · 8 Comentários · Azeite

Odeio ficar irado. Perco completamente a razão e o controle, e geralmente me transformo no que não gosto. Por isso, procuro sempre me controlar e relevar. Ë um processo árduo mas venho recolhendo frutos ao longo dos anos. Mas de uma coisa nunca me livrei, a ira silenciosa.

Pessoas que ficam muito íntimas minhas, invariavelmente acabam tendo medo de mim. E imagino que falo aqui sozinho, não acredito que muitas pessoas causem esse efeito da mesma maneira que eu, portanto me desculpem se isso soar como desabafo ou sessão terapêutica.

Sou naturalmente opressor, tenho um modo de lidar com gente e situações que me transformam num dos maiores monstros sem praticamente rugir. Basta bradar poucas vezes para passar meu recado e recolher frutos eternos. E o pior de tudo isso, não tenho intenção.

Minha maneira de ser sincero não é nada sutil, é dolorida e crua, o que me traz problemas a longo prazo, se mentisse era capaz que tivesse que lidar apenas com problemas menores, mas fazer o que? Falo para quem quiser ouvir o que gosto ou nao, aprovo ou não, cheio de julgamentos e decretos. E são essas coisas que constroem o mito.

Não demora muito e qualquer um já sabe minha opinião sobre qualquer coisa, não precisando me perguntar se eu aceitaria ou gostaria mais. Muitas vezes as pessoas acertam, mas em outras erram feio. Pois por mais duro que eu pareça tenho constante maleabilidade, como o vidro que é liquido mas demora muito tempo para deixar sua forma dura e aparentemente imutável. Com medo de quebrar esse vidro, ninguém tenta mudar sua forma.

A ira silenciosa é herança genética sem dúvida, e como boa parte dela, vivo em guerra interna para, com minha razão e análise, de alguma maneira anular traços desagradáveis deste código genético. O que vocês podem imaginar, não é nada fácil. No fundo é apenas a guerra que todos temos entre o que somos e o que queremos ser. Haja terapia.

Como deve ter ficado bem claro, se tem um pecado que acho completamente dispensável num relacionamento, é a ira. Ainda que meu amigo MM ache que isso pode simplificar as coisas, ainda reluto em ter um relacionamento tranqüilo e fácil. Não me orgulho (como já me orgulhei muito) em ter um gênio difícil. Gosto ainda de ter personalidade forte, de ser autêntico, mas queria muito ser mais “easy-going”. Queria um dia ter alguém do meu lado que conseguisse apenas relaxar e aproveitar. Me assombra a idéia de ser um desafio, um fardo, um preço alto que a maioria das pessoas acaba não conseguindo pagar e abandona no meio das prestações.

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