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Azeite – Avareza

30 de outubro de 2008 por Kris Arruda · 8 Comentários · Azeite

Quanto a dinheiro tenho meu passaporte pro céu garantido. Sou mão aberta, do tipo que prefere pagar mais (mesmo sem poder) para não ter que agüentar “encheção” de saco. O preço é baixo na maioria das vezes. Já nas outras coisas, bem, sempre tem outras coisas.

Já disse em algum lugar, não sei se aqui, no blog ou no cronistas, que não sou nada materialista, apesar de adorar gastar, não me apego a coisas, apenas gosto delas. Fora uma camiseta ou outra que uso até rasgar por completo, lembro de poucas coisas que não consegui substituir, trocar ou simplesmente me desfazer.

Já as pessoas, essas me confundem. Tem gente que elimino da minha vida sem o menor pudor, tenha substituto ou não. Tudo tem a ver com o motivo, se for grande o suficiente para preferir não ter a parte boa arranco como erva daninha, esquecendo tudo de bom que já me proporcionou. Geralmente essas pessoas brotam, você não teve nada a ver com seu crescimento, desenvolvimento e vice-versa.

Mas existem as pessoas que eu cultivo. Aquelas que luto para ter em minha vida, que deixam meu jardim bonito de ver e sentir. Com essas o buraco é mais embaixo. Quando eu acredito muito em uma pessoa, invisto. Mesmo que a muda não pareça promissora, que ninguém tenha se interessado, eu teimo em pega-la , planto, rego adubo.

Algumas morrem logo no começo me provando que eu estava errado, então apenas a retiro com carinho e deixo para o próximo. Outras crescem, mas se transformam em algo que eu não previa, daí nada mais certo do que doar para outro jardim, que combine mais com a bela planta que se tornou.

O problema é quando pego uma muda, cuido, até falo com ela, e a danada cresce e floresce como nenhuma outra do jardim. A essas me apego, mesmo porque são as mais difíceis de cuidar. Você sabe por tudo que passou para vê-la daquele jeito. Sabe quantas vezes achava que a ia perder, e mesmo assim insistiu e conseguiu mantê-la viva.

O problema é que nem sempre essa pessoa combina mais com seu jardim. Ás vezes precisa de espaço, outras uma terra mais fértil ou até mesmo um lugar onde bata mais ou menos sol. E quando acontece isso, eu insisto, teimo em não doar a coitada, achando que mais uma vez as coisas vão melhorar e ela vai florescer. Mas nem sempre é assim. E de repente você a vê morrendo. E sabe que se não desistir vai a acabar matando e paralelamente, todo seu jardim.

Só aí que me desapego, percebo que nenhuma daquelas pessoas que cultivei são minhas, levam meu carinho, amizade, adubo, mas não são e nunca serão minhas. Elas só aceitam ou não florir o meu jardim. E  já que eu não sou muito fã de plantas, melhor que tenha sempre um jardim bem florido. Custe o que custar.

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