Desde que meus pais comprara um apartamento na praia, raros foram os finais de ano que não fui pra lá. Por mais que planejasse conhecer novos lugares, ter novas experiências, acabava indo pra lá. Mas não que seja um lugar ruim, muito pelo contrario, é um dos locais que mais gosto no planeta, porém dificilmente acontece algo de novo.
Pois bem, em apenas um desses anos, eu passei o Natal por lá também. Não lembro exatamente por que, mas naquele ano descemos todos para a praia esperar o bom velhinho. Fomos eu e meu amigo Caio, que sempre passa os Natais comigo, sem muitas expectativas de folia, afinal o clima era total família.
Quando chegamos lá, após largar as malas em algum canto, eis que temos uma surpresa, estavam lá duas amigas minhas de infância, que não via há anos. Logo eu e meu brother sentamos para conversar com elas, botar o papo em dia. Mesmo que amigas de infância, nunca fui íntimo delas, então era como conhecer pessoas completamente novas. As duas moravam fora de São Paulo, o que só tornava o papo mais interessante.
Aos poucos, dois pares foram se formando, meu amigo com a que morava no interior de SP, eu com a que morava no interior da Califórnia. Assim nos separamos e fomos cada um para o lado do apê, e daí pra frente não sei o que aconteceu com eles. Comigo o papo estava cada vez mais interessante, até a hora em que interrompemos o papo para fazer algo um pouco mais interessante.
A química foi ótima, e nossos tempos de criança foram deixados para trás, mesmo lembrando de vez em quando para dar risada. Aproveitamos o clima de Natal e ficamos no escuro, iluminados apenas pelas luzes colocadas na varanda, escutando U2. Até o dia amanhecer.
Nesse dia elas iam embora, e eu já tinha me acostumado, por mais que por pouco tempo, com a ótima companhia. Mas não tinha jeito, seus pais, amigos dos meus (razão por qual ela estava lá) tinham que ir, e ela ia passar o ano novo com eles em outro lugar. Trocamos telefones, emails, e os últimos beijos, com a certeza de que não nos encontraríamos tão cedo.
Passei os dias entre as datas festivas dividido entre a convivência familiar e o computador da minha irmã, checando meus emails e conversando com a moça a distância. Me irritava pensar em como seria bom te-la por lá, e sei que ela gostaria também.
Até que por volta do dia 30, a campainha toca, quando a porta abre é ela, sozinha, sem os pais, voltando para passar o ano novo por lá. Foi um belo presente de Natal, que retribui com o meu último beijo de 2000 e primeiro beijo de 2001.