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Presentes

17 de dezembro de 2008 por Ricardo Laganaro · 5 Comentários · Açúcar

Sempre adorei presentes. Dar, receber, ver gente que sabe dar, dando; ver gente que sabe receber, recebendo … Lembrem do contexto, amigos, só estou falando de presentes.
Porém, tenho uma opinião bem formada sobre o assunto. Presentes deveriam somente estarem ligados à motivação espontânea.
Não sou contra datas comerciais, aniversários, Natais e por aí vai, mas, sou contra ter que se dar obrigatoriamente presentes nestas datas. E por quê?
Primeiro, porque acho que você só deveria dar presentes pra pessoas que conhece realmente e sabe do que gosta. Segundo, porque acho que só devemos dar presentes quando realmente temos vontade (e condição) para isso.
Alguns dos melhores presentes que dei (e também recebi), foram aqueles que ficaram gritando loucamente o nome da pessoa presenteada até eu entrar na loja e garantir que ia levá-lo pro seu futuro e legítimo dono. Independente da época, data e obrigação.
O tipo de presente que eu mais gosto são os “inúteis”. Aquele tipo de coisa que a pessoa acha incrível, porém nunca teria coragem de gastar seu dinheiro com. Esse tipo de presente normalmente diz respeito a interesses bem pessoais, específicos e que, por mais bobos que possam parecer pra maioria, fazem muito sentido praquela pessoa. Exemplo:
- um dos presentes que mais me orgulho de ter dado pra um amigo foi uma besta! Pra quem não sabe, além do Lula e do carro homônimo, besta também é uma arma medieval que mistura um revólver com um arco, lançando flechas a velocidades inimagináveis. O amigo é um fanático por armas de guerra, porém nunca gastaria seu suado dinheirinho uma coisas dessas. Pelo menos não enquanto o Brasil estiver livre de élfos e minotauros. Poucas vezes vi uma cara de espanto/alegria tão grande de um aniversariante ao abrir um presente.
Também gosto muito dos presentes que não vêm embalados numa caixa porque não são concretos. Jantares, viagens, visitas a lugares especiais, encontros com pessoas interessantes, enfim, experiências que mostrem que o presenteador conhece o presenteado e gastou seu tempo e dedicação pra proporcioná-lo uma lembrança feliz.
No fundo, acho que presentes dizem respeito a isso, falar pro outro que você realmente se importa com ele. Se importa a ponto de conhecer seus interesses, seus gostos, suas motivações, e em função disso tudo, agradá-lo quando a oportunidade aparecer.

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Amor tem idade?

10 de dezembro de 2008 por Ricardo Laganaro · 7 Comentários · Açúcar

Não estou nas condições ideais de temperatura e pressão para discutir o tema porque um Caterpillar acabou de passar em cima de mim, mas depois de duas semanas completamente ausente, me recusei a deixar mais um tema interessante em branco e, portanto, vou tentar me explicar da maneira que melhor conseguir.

 

Sim, amor tem idade.

 

Antes de tudo, acho que já disse por aqui que considero a atração física primordial para a existência do amor (num relacionamento, certo?). Portanto, dependendo da diferença de idades essa atração se torna impossível ou, em outros casos, psicótica, o que nunca é muito legal.

 

Consideremos então, que estamos falando de idades razoavelmente aceitáveis nesse quesito. Nenhum dos dois é chave de cadeia e nem está com o pé na cova. Ok?

 

Legal. Agora sim. Podemos falar que idade no amor é bobagem, certo?

Errado.

 

Outra coisa que considero essencial para a existência do amor (de verdade, pessoal) é a afinidade. Impossível uma relação durar, de forma saudável para ambos, por muito tempo sem a tal da afinidade. E aí que chega o “X” da questão para mim.

 

Os dois envolvidos na relação tem que ter uma idade “mental” compatível pra que exista essa tal afinidade. No meu caso, a moça deve ter uns 8 anos, levando-se em conta que as mulheres sempre são mais maduras, já que eu, certamente, não passo dos 5.

 

Brincadeiras à parte, acho que casais que vão longe não apresentam, necessariamente, gostos parecidos, humores parecidos, nem personalidades parecidas, mas normalmente têm valores complementares e “ritmos” compatíveis. Isso, pra mim, diz respeito à uma idade mental aproximada.

 

Sempre falando de idade mental, já tive a experiência de me relacionar com uma mulher que era bem mais “velha” que eu. Com o passar do tempo, eu fui perdendo parte da minha criancice e fui me tornando mais chato e desanimado. Felizmente a perda não foi irreversível.

 

Também já tive algo com uma menina bem mais “nova”. Infelizmente, o ritmo era outro, as coisas que bastavam pra ela eram insuficientes pra mim. Da mesma forma, não funcionou.

 

Enfim … pensando nas milhares de variáveis que existem para um relacionamento funcionar, acho que a idade “mental” está entre as mais importantes. Se as idades baterem, este podem ser um ótimo indício que as coisas tendem funcionar bem.

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Os Sete pecados - Preguiça

19 de novembro de 2008 por Ricardo Laganaro · 4 Comentários · Açúcar

Outro pecado capital que tenho certa simpatia.

Em termos genéricos, já diz o “sobre mim” do meu Orkut que prezo por três coisas na vida : Liberdade, Amizade (um relacionamento está dentro disso) e Tempo pra Meditar.

A preguiça se encontra neste último item. Mas não achem que estou falando do tal Ócio Criativo que o Domenico de Masi inventou e eu não sei quase nada sobre (preguiça de ler, sabe …), mas já discordo. Ócio foi feito pra ser praticado sem pretensões. Imagina que absurdo, ficar fingindo que está ocioso, só pra ter uma boa idéia? Heresia. Se for pra levantar uma bandeira é a do Ócio Ocioso!

Porém estamos aqui pra falar especificamente do ócio nos relacionamentos, não é?

Vou aproveitar que estou com preguiça de pensar em coisas novas e desfraldar então, outra teoria de boteco que, mesmo não sendo minha, defendo há tempos (vale ressaltar que foi formulada por um dos maiores professores que tive na vida, Platão Savioli) : os relacionamentos que tendem a durar muito tempo são os que exigem pouco esforço.

Explico : pegue um peso de 1 kg e levante com sua mão direita. Fácil, né? Mantenha o braço esticado, ainda segurando o peso, por 10 minutos. Talvez o mesmo esforço pareça muito maior, não? Agora tente continuar a ação por 1 hora. Impossível, não é?

Então … nos relacionamentos as coisas funcionam de modo bem parecido. Pequenos esforços feitos para o bem da relação podem parecer bobos e simples no começo, no calor da paixão. Ao longo dos meses e anos, esses mesmos agrados podem se tornar mais e mais sacrificantes, até se tornarem absolutamente insuportáveis.

Pra mim, a prova de que essa teoria tem fundamento são as amizades. Amizades tendem a durar mais que relacionamentos porque você precisa se esforçar muito menos pra agradar um amigo do que uma parceira. Nenhuma amizade acabaria com o seguinte diálogo. Já um namoro …

-    Vamos sair hoje?

-          Acho que não …

-          Por quê?

-          Preguiça …

-          Vou passar aí, então, pra gente tomar um lance …

-          Nem a pau …

-          Por quê?

-          Preguiça! Já disse … Vou ter que levantar do sofá pra abrir a porta. Impossível.

-          Porra … sacanagem…

-          Pois é …

-          Beleza então … Vai te catar.

-          Você também.

 

Porém … mesmo sendo importantíssimas, mais fáceis de se manter, e mais do que necessárias, amizades não propiciam uma série de maravilhas que só um bom relacionamento tem. E agora?

Bom … já diria outro ditado (preguiça, amigos, muita preguiça) que admiro muito : Tudo que é bom custa caro!

Lembro que, no final do meu namoro de 4 anos e meio, já na época que o peso de 1 quilo parecia ter 1 tonelada, eu fui num lançamento de um livro e acabei encontrando outro mestre, Mário Prata. Acabamos ficando na mesma mesa, conversando por boas horas e quando minha namorada me ligou pra saber que horas eu iria embora buscá-la, fiz o tipo “desculpe, a mala da namorada ligou pra cortar o meu barato”. E ele, com a calma e a sabedoria de gente que já viveu muito, e bem, me disse : “Não fala assim. Agradece que você tem alguém te ligando, querendo te ver…”

Até hoje não me esqueço do olhar dele.

Infelizmente, na época, o namoro já tinha acabado e a gente apenas precisava de um tempo pra se acostumar com isso, antes de nos separarmos, de fato. Mas entendi que, nos próximos, eu deveria sempre lembrar dessa frase.

Se você quer ter alguém que se importe verdadeiramente com você, deve pagar o preço dessa dedicação. Sem preguiça.

Calma lá! Mas aí você se contradisse, caro cronista?

Apenas pros mais desavisados.

Então, como pagar um preço tão alto e, ao mesmo tempo, não se esforçar?

Sou contra os esforços desnecessários. Esforços que podem ser entendidos pela outra parte, com o mínimo de boa vontade. O esforços que geram a tal da preguiça.

Quando você sabe que algo realmente é importante para a pessoa que você gosta (de verdade, né?), o esforço deixa de ser desnecessário. Vira uma preocupação sua, porque você sabe o quanto aquilo significa pra sua parceira, e portanto, vai fazê-lo. Mesmo que tenha que se esforçar um monte.

A preguiça, no meu ver, acaba virando um certo termômetro da relação. Quanto mais preguiça você tem de fazer coisas para e com o outro, ou é porque muito esforço desnecessário está sendo gasto, ou um já não se importa tanto com o que é importante pro outro.

E aí, amigos, é hora de repensar as coisas.

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Os 7 Pecados - Luxúria

12 de novembro de 2008 por Ricardo Laganaro · 3 Comentários · Açúcar

 

Ah bom, finalmente voltamos pra um pecado interessante!

Chegar perto dos trinta, tem vários efeitos colaterais. Bons e ruins. Os ruins estão ligados, principalmente, às decepções, num certo ceticismo generalizado que insiste em aparecer. Já os bons, são vários … Aproveitando o tema, quanto mais tempo passa, mais eu me sinto confortável com essa questão. Sexo é ótimo, sexo é necessário, sexo é inevitável.

 

Os que negam isso pros outros e, principalmente, pra si mesmo, ou são pessoas amargas e infelizes ou são hipócritas e mentirosos. Em ambos os casos, normalmente são o tipo de pessoa que costuma cometer, aí sim, as maiores atrocidades sexuais, na forma dos mais diversos crimes.

 

Mas nem sempre pensei dessa forma. Até o meio da adolescência a luxúria foi um tabu. Eu via as mulheres como objetos sagrados e imaculados, que eu deveria conquistar para bombardeá-la com todo meu arsenal de nobres sentimentos. E só. Obviamente, eu não pegava ninguém, mas tudo bem, já que guardava minha luxúria para as mulheres “de mentira” que via nas revistas e filmes, e que não mereciam respeito.

 

No final da adolescência, após acontecimentos esporádicos, comecei a ficar um pouco (muito pouco) mais corajoso, passei a acreditar que além da Síndrome de “Bela Adormecida” as mulheres também tinham outros desejos e isso podia ser interessante. Ainda sim, a alta baixa-estima não me deixava atuar muito nesse sentido. Quase não tinha coragem pra imaginar as meninas que eu considerava “pra namorar”, como seres, digamos, safados. Muito menos, coragem pra tentar extrair tal safadeza delas.

 

Simplificando, até essa época para mim : mulher pra casar tinha que ser “santa” e mulher pra curtir na cama era vagabunda.

 

Aí, comecei a me relacionar de verdade com mulheres, primeiro num grande namoro sério, e depois num monte de confusões. Fui entendendo que, pros dois lados, o desejo era ótimo, necessário e incontrolável .

 

Junto com uma série de outras circunstâncias, fui me desprendendo de uma série de preconceitos e tabus (nos mais variados assuntos) e fui me “flexibilizando” como pessoa. Talvez eu já tenha dito algo parecido por aqui, mas aí vai : sou, aos quase 30, um cara muito mais tolerante e liberal do que era, aos quase 20.

 

Nesse caminho, já me relacionei, por exemplo, com uma mulher que era absolutamente fria no estado natural, mas que virava uma desvairada quando bebia. Nas primeiras vezes, me senti o Casanova. Com o tempo, isso começou a me dar uma raiva, amigos. Mas uma raiva do tamanho do mundo. É claro que beber um bom vinho (ou seja lá o que for) pra quebrar o gelo, ou até para tomar coragem para uma brincadeira mais ousada, sempre pode ser um recurso interessante. Mas usá-lo como único dispositivo para “ligar” o desejo é sinônimo de recalque e repressão, coisas que me brocham profundamente.

 

Já tentei, também, ficar com mulheres que tinham “tudo que eu sempre quis”, menos a tal da química. Afinal de contas, poxa vida, só por causa do sexo eu ia abrir mão de uma pessoa tão legal, que poderia enriquecer tanto a minha vida? Sim, infelizmente … Não podemos negar o que somos (macaquinhos disfarçados, lembram do texto sobre “A Freqüência do Sexo”?).

 

Hoje, considero absolutamente impossível estabelecer uma relação duradoura com uma mulher que não veja o sexo e o desejo de uma maneira igual ou compatível com a minha. Mesmo porque, alguém que pensar e agir assim, mostrará o quanto é bem-resolvida e inteligente, e isso é algo que me atrai muito.

Por conta disso, já consegui, inclusive, ter relacionamentos apenas baseados no desejo. Algo claro, sincero e, por mais contraditório que pareça, puro. A química era incrível, os dois sabiam disso e viam quase como um desperdício não aproveitar essa “dádiva”, apenas porque não havia amor. Sei que é bem difícil chegar nesse grau de esclarecimento, mas consegui e só tenho coisas boas para falar sobre a experiência.

 

Indo por esse lado, conheço gente que já tentou (ou tenta) levar longas relações apenas por conta dessa química. E aí já é demais para  mim. Por melhor que seja a noite, eu não acho que compensará todos os problemas do resto do dia.

 

Qual a medida então?

Boa pergunta!

 

No meu caso, acredito que é uma boa combinação entre o que a mulher pensa e o que a mulher é. Não tem fórmula, nem padrão. Pra ser mais desprendido, citarei o filósofo contemporâneo Roger Moreira : “eu sou um monstro de duas cabeças”. E se não agradar muito as duas, amiga, não tem como dar certo.

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Os Sete Pecados - Soberba

5 de novembro de 2008 por Ricardo Laganaro · 4 Comentários · Açúcar

Fui criado mais pra ser humilde do que arrogante. Por muito tempo não entendi o porque as pessoas eram do segundo tipo. Mas, depois de crescer e perceber que ser muito humilde dá um trabalho –  perdoem o termo – infernal, comecei a entendê-los melhor. Quem é arrogante tem uma vida bem mais simples do que alguém que é muito humilde.

 

Essa constatação não me fez querer “mudar de lado”, apenas me fez entender melhor as coisas.

 

Diz um velho ditado que eu lembro sempre : “cada um tem o que merece”.

 

Muitas pessoas arrogantes e presunçosas, vivem cercadas de gente que adora ser mal tratada e considera esse “ser divino” como alguém realmente superior. O merecimento é mútuo. O mundo do “bussiness” está cheio de exemplos desse tipo.

 

Nos relacionamentos, idem. Tem gente que nasceu pra maltratar e gente que nasceu pra ser maltratado. Os dois se merecem.

 

Nessa minha descoberta, cheguei até a me questionar se a soberba acaba sendo, então, um pré-requisito essencial para os bem-sucedidos (seja nos negócios, ou no amor).

 

Ainda acho que não. Mas compreendi que costuma facilitar muito as coisas. Cada vez mais, vejo arrogância ser confundida com auto-confiança, pretensão ser confundida com ambição, presunção confundida com competência e por aí vai…

 

O fato é que mesmo vendo a soberba ser mais e mais valorizada (nunca de forma clara, afinal de contas a humildade é a mais nobre das características, certo? Discorda? Você está DEMITIDO!), ela não me parece uma característica dominante no tipo de gente – seja no mundo profissional, seja nos relacionamentos –  que me interessa.

 

Gosto de gente que faz questão de ouvir sua opinião mesmo que discorde, gosto de gente que admite erros, e principalmente, gosto de gente inteligente. E a soberba faz o indivíduo tão senhor de si, que acaba se limitando apenas ao que ele sabe e, tirando o Lula, ninguém sabe de tudo na ponta da língua, sempre.

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