São vinte para as quatro da manhã. A única coisa que eu consigo pensar é que eu preciso ganhar um despertador que me acorde a pancada. Não dá mais para perder o horário, ainda mais nessa semana infernal.
Tudo bem. De qualquer forma não vou ganhar um despertador mesmo. Além do que é impossível eu vir a ter um despertador que funcione, só se ele fosse meu alter-ego.
Chega disso, falemos de presentes, que belo dia.
Eu sempre gostei de ganhar presentes, desde pequeno. Mesmo os presentes inúteis acabavam por me servir de alguma coisa. Nem que fosse para explodi-los com bombinhas de festa junina.
Hoje em dia, porém eu me divirto mais comprando e dando presentes do que recebendo. Por mais cansativo e mala que seja, principalmente agora no Natal, é sempre um desafio escolher alguma coisa original para as pessoas.
Que fique claro. Pessoas são minha namorada, pais e irmãos. Eventualmente algum amigo que oferece uma festa de aniversário. O resto não ganha presente. Eu não tenho cara de Papai Noel né?
E por mais piegas que pareça eu adoro quando chega dia 24, e trocamos presentes. Parece-me um momento genuinamente familiar. Acordar, todo mundo de semi acordado em volta da árvore. Cada um fazendo um discurso mais sem nexo que o outro. É uma das poucas coisas que ainda dá para fazer em família sem stress.
Ontem o MM falou de amigo secreto. Eu odeio amigo secreto. Não serve para nada. Se o pessoal da firma quer sair para beber, que saiam para beber, não precisam trocar presentes. Além de ser um ritual sacal para quem participa, é quase um martírio para quem está do lado e precisa ouvir a gritaria de gente bêbada.
Certamente para passar bem essa semana, em qualquer bar ou restaurante da cidade, seria bom ganhar protetores auriculares de presente.
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Eu acho que não tem nenhuma barreira para o amor não, muito menos idade. Entretanto, basta observar que a maioria das pessoas tende a se relacionar com indivíduos do mesmo círculo social.
Isso acontece desde que freqüentamos a escola, depois a faculdade, atividades esportivas e até no trabalho. A maioria de nós busca um padrão de comportamentos que combinem com os nossos.
Na questão da idade, quando há uma diferença muito grande acredito que o mais novo da relação deva ser muito maduro, ou o mais velho muito imaturo. Ou ainda, no pior dos casos, alguém está fingindo ser o que não é. Invariavelmente isso se torna problemático.
Eu nunca me relacionei com pessoas muito mais velhas ou mais novas, sempre 2 ou 3 anos de diferença, para cima ou para baixo. Quem me conhece sabe que além de parecer mais velho eu normalmente me comporto como se fosse mesmo. Eis um aspecto interessante.
Não podemos simplesmente julgar a diferença de idade pela diferença temporal, simplesmente. Acho que é uma mistura da fase da vida de cada um, como o Marcelo mesmo disse e alguns comportamentos já arraigados no dia-a-dia de cada um.
Não necessariamente precisamos estar com alguém que esteja vivendo na mesma fase, mas talvez com alguém que esteja vivendo uma fase que já passou ou ainda uma que está por vir. Poderemos encontrar essa pessoa cinco ou dez anos para trás, ou talvez vinte para frente. Não dá para saber.
Eu pessoalmente conheço muitos poucos casos de relacionamentos com grandes diferenças de idade, até por isso sou um pouco incrédulo se um relacionamento desses pode gerar benefícios de longo prazo, mas tendo em vista outros diversos tipos de combinações entre os mais diferentes personagens, dá para afirmar sem receio:
Amor não tem idade. Que o digam as velhinhas safadas.
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Eu odeio sentir inveja e odeio gente invejosa. Isto posto, não dá para negar que é um sentimento difícil de controlar. No seu texto de ontem o mestre, chefe, maluco de pedra MM disse que a competição no relacionamento causa muitas vezes inveja. Eu concordo com ele, mas acho que temos que ver os dois lados.
O lado ruim é que se a inveja for muito, isso certamente causará problemas graves, para os dois lados. Talvez alguns anos de terapia e quem sabe até uma certa depressão.
O lado bom é que se a inveja for num nível saudável, isso pode servir como fator de motivação para os dois crescerem juntos, às vezes estando um na frente do outro e às vezes não.
Um velho e sábio chefe meu um dia me disse que sábio é aquele que se deixa iluminar pela estrela ao lado, ao invés de tentar apaga-la para brilhar sozinho.
Meio brega eu sei, mas foi uma das lições mais valiosas que eu tive, e me permite conviver com todo tipo de gente no ambiente profissional.
O mesmo vale para um relacionamento amoroso. É melhor pegarmos carona com o sucesso de nossos parceiros, ao invés de nos remoermos de raiva. Até pode remoer um pouquinho, mas o melhor é aproveitar o sucesso do conjunto.
E normalmente o sucesso que causa maiores problemas é o profissional, ainda mais quando a mulher é mais bem sucedida que o homem. Exige muito auto controle do rapaz e uma dose de humildade.
Não há muito mais o que dizer, apenas uma recomendação final. Tenham inveja, mas com responsabilidade.
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Dado que sou um pacato rapaz, nascido e criado na grande Ituverava, metrópole agrícola, onde todos são cordiais e pacíficos, não conheço essa tal de Ira. Só uma ou duas raivas eventualmente.
Mentira. Eu era um pacato rapaz. Depois que saí da bolha agrícola e comecei a conviver com essa espécie subdesenvolvida que são as pessoas, não sou mais um resplendor de paciência, calma e serenidade.
Quando você é novo, todo mundo tem lá sua utilidade. Seus pais provêm seu sustento emocional e financeiro, seus amigos te ajudam a brincar de brincadeiras que exigem mais de uma pessoa. Seus tios e tias dão presentes de Natal, Ovos de páscoa entre outros regalos.
Isso nem é verdade muitas vezes, mas parece. E o que parece está bom, desde que mantenha o disfarce pelo tempo necessário.
Depois de mais velho e sábio, tenho que admitir, as pessoas perdem sua função básica e você começa a se perguntar para que diabos elas servem. E nem falo dos exemplos acima, falo de todo o resto.
Esse resto tem a simples e diária função de me tirar do sério. Às vezes eu acho que talvez Deus realmente exista e que o convívio com os “iguais” é um teste de fé. É uma pena que eu tenha sido tão bom aluno na escola e falhe nesses testes todos os dias. Minha fé vai embora pelo ralo todos os dias.
Ainda assim acho que esse comportamento pouco sociável não se classifica como Ira, afinal me parece que coisas terríveis acontecem quando as pessoas ficam iradas. Comigo, entretanto só acontecem coisas tediosas, as terríveis ficam para os filmes de monstros e para os jantares do MM.
Esse mesmo MM, meu chefe, guru e sábio do morro, que fica nervoso com as mulheres que perguntam. É um tolerante. Eu penso que a maioria das pessoas falam demais, deveria haver uma cota ou coisa assim. Só se pode falar tantas palavras por dia. A pena por ter ultrapassado esse limite seria a mudez provisória até o conselho deliberativo definir uma data de retorno da emissão de sons pelo indivíduo.
Certamente se Deus existisse, ele já teria pensado nisso.
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O que dizer sobre preguiça? Eu sou a preguiça. Deus fez o homem a sua imagem e semelhança e me fez a imagem e semelhança da preguiça. Eu tenho preguiça de tudo e de todos. Quando estava pensando no que escrever sobre esse tema, me veio a idéia de escrever “Passo” e ir tomar uma cerveja, mas segunda-feira eu nunca tomo cerveja. Você já deve imaginar o porquê.
De qualquer forma eu não escrevi esse texto na segunda-feira, escrevi hoje de manhã, morrendo de sono, depois de ter passado uma noite inspirado pelo tema dessa semana, fazendo absolutamente nada, para ver se isso me ajudaria a escrever.
Ainda assim não adiantou. Pouco me intriga que hoje, justamente quando tenho que escrever sobre preguiça, a mesma toma conta de mim numa forma absoluta e inexorável. Mas é certo dizer que isso vem num crescente nas últimas semanas. Acho que esse negócio de pecado não é muito a minha praia.
Porém nesse caso eu acho que posso dar um relato interessante, ao contrário dos outros, onde até de católico me chamaram. Esses infiéis.
Não pode haver preguiça no relacionamento. Se há preguiça, certamente ela é um sintoma de que a coisa vai mal. Normalmente esse seria um problema fácil de resolver, ligamos para garota, marcamos um encontro num lugar público e damos a notícia.
- Isso não está dando certo.
- Mas porque não. Eu fiz algo errado?
- Não tem nada a ver com você, sou eu o problema.
- O que você tem?
- Preciso repensar minha vida.
Na verdade a última frase é “Estou com preguiça de você!”, mas quem poderia proferir tal insensibilidade na presença de uma dama?
Entretanto nem sempre a preguiça é um sintoma de que o relacionamento vai mal. Atualmente eu namoro uma preguiçosa, não tanto quanto eu, ela é um pouco mais responsável em alguns aspectos. De qualquer forma isso me poupa de uma série de perguntas que não são feitas jamais:
- Vamos andar no parque?
- Vamos à balada?
- Vamos tomar sorvete?
- Vamos visitar minha tia, minha prima e a minha avó?
- Vamos passar o dia na praia?
- Vamos fazer caminhadas ecológicas?
- Vamos, vamos, vamos?
Quem agüenta isso? Eu certamente não. Mas acho que a rotina da preguiça também coroe umas das melhores coisas que podemos ter num relacionamento, as experiências conjuntas, principalmente aquelas que no futuro nos lembrarão do porque estamos juntos daquela pessoa e às vezes do porque deveríamos nos esforçar para continuar juntos.
Então não fique aí parado(a), levante essa bunda da cadeira e faça algo, ou não.
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