Saio para a balada com dois amigos, logo que entramos vimos três garotas encostadas no bar. Duas morenas e uma loirinha. A loirinha de costas para nós e as duas meio de lado. Paramos, olhamos um para a cara do outro e… a loira se vira. Cecília. Prima de uma amiga que eu estava querendo “pegar” e que tinha casa lá na mesma praia que eu.
- MM? Nossa, que surpresa boa!
Meus dois amigos abriram largos sorrisos, por dois motivos:
1 – As duas morenas eram lindas e sorriram também.
2 – A loira era feia! (“Amigos” adoram quando a gente se dá mal…)
Encostamos, conversamos, a noite começou a bombar e… Os dois desapareceram com as amigas da loira feiosa. De rosto nem tanto, mas era magrinha, sem bunda, sem peito e sem graça. Mas sabem como são as coisas… nem sempre a maré está para peixe e…
Ok, ok, confesso, fiquei com a magrela. Além de ela ser meio feia, prima de uma provável “futura” e meio chata, a mãe dela era muito amiga da minha mãe… Coisas de férias na casa de praia… Mas eram super amigas mesmo. Assim sendo, escaldado por levar tanta bronca da mamãe, resolvi não aprontar nada com a magrela feia e chata, desde que ela se comportasse bem, claro.
Nessa época eu morava sozinho… Dez horas da manhã seguinte, o telefone toca… Mamãe!
- Filhinho? Dormindo? Não foi trabalhar ainda?
- Mãe, por favor, cheguei em casa às cinco…
- Mamãe está tão feliz…
- É? E por isso me acordou?
- Que bom que você está namorando a Cecília…
- Que? Como assim, encontrei-a ontem… quem “já” te contou?
- Gosto muito da mãe dela…
- Mãe, pelo amor de Deus… não estou namorando…
- Está sim. A mãe dela me ligou logo cedo e me contou tudo…
- MÃE! Foram só uns beijinhos…
- Espero que dê certo, tá na hora de casar… Tchau filhinho…
Eu não esperava que desse certo, aliás, esperava que nem “desse”, se é que me entendem.
Combinamos de sair novamente na semana seguinte, eu com a feia e meus amigos com as outras (lindas). Fomos jantar e depois a levei para sua casa… Subimos… mais beijos, família dela na fazenda… nós dois sozinhos naquele apartamento monstruoso… banheira… pronto. Nem sei como, mas o fato é que aconteceu… Devo ter sido seduzido… sou muito fácil…
Assustado com o “namoro”, com a pegação de pé, com os 4 telefonemas por dia da semana anterior… logo pensei: MM, estás de novo fazendo bobagem.
No dia seguinte, sexta-feira, fomos ao cinema. Assistir o que? Atração Fatal. Filme rolando, ela do meu lado prestando mais atenção do que o filme merecia… Olho para a Glenn Close… olho para a Cecília… De novo para a Glenn… de novo para a Cecília… Medo… muito medo. Conclusão, na minha cabeça doida, eu estava “namorando” com a Cecília “Close”. Pior, com aval das mamães. Medo… muito medo, mas poderia ser só impressão, ela ainda não havia demonstrado que pegaria taaaaaaaaanto assim no pé.
Saímos do cinema, a levei pra casa – dessa vez sem subir, consegui finalmente pensar com a cabeça que tem cérebro – voltei pra minha casa, arrumei a mala e me mandei para a casa da praia na mesma madrugada. Ufa, estou livre da Glenn até segunda…
Acordo feliz da vida… Sento para tomar o café da amanhã e o telefone toca: Patrícia, a prima que eu estava atrás…
- Má? Que bom que você veio pra cá, estou aqui na praia também. Vim sozinha… Quer vir tomar sol aqui em casa? Passaremos o dia juntos…
Pensei: Se quero? Já estou indo. Ah, mais um fim de semana daqueles gloriosos, dentre tantos que já proporcionei a mim mesmo na praia, aquele tava com cara de magnífico… único…
Meia hora depois, nós dois na piscina, apoiados no mesmo colchão flutuante, um de cada lado, olhando nos olhos, combinando um passeio naquela tarde em Ilhabela, enfim, estava ficando “inevitável” ter um final de semana daqueles cinematográficos. Já conversávamos sobre nosso futuro, de mãos dadas sobre o colchão, rostos se aproximando para o primeiro e inesquecível beijo quando aquela voz estridente grita lá do portão…
- Mááááá… Ainda bem que te encontrei… Pensa que foge de mim???
- É… não, claro que não, é que… – isso “caindo” do colchão…
- Posso saber o que tá acontecendo??? – Indaga Patrícia, minha ex futura…
E foi assim meu final de semana cinematográfico… Atração Fatal… um belo filme. Na vida real não teve cenas de tentativas de suicídio, evidente, mas pode ser que viesse a ter de homicídio.
Expliquei para a Paty que…
A Cecília “Close” explicou a versão dela… Paty evidentemente acreditou na prima, as duas fora da piscina me xingando de canalha… Quando voltei pra SP minha mãe se disse decepcionada com o ex filhinho do coração…
Tudo voltou ao normal… Telefonemas ameaçadores de madrugada, aparições inesperadas da loira em todos os lugares durante uns dois meses… E a Patrícia? Bem, ela mal me cumprimenta até hoje…
MM
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