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Entries from outubro 2008

Eu e Glenn Close

31 de outubro de 2008 por MM · Nenhum Comentário · Aconteceu Comigo

Saio para a balada com dois amigos, logo que entramos vimos três garotas encostadas no bar. Duas morenas e uma loirinha. A loirinha de costas para nós e as duas meio de lado. Paramos, olhamos um para a cara do outro e… a loira se vira. Cecília. Prima de uma amiga que eu estava querendo “pegar” e que tinha casa lá na mesma praia que eu.

 

- MM? Nossa, que surpresa boa!

 

Meus dois amigos abriram largos sorrisos, por dois motivos:

 

1 – As duas morenas eram lindas e sorriram também.

2 – A loira era feia! (“Amigos” adoram quando a gente se dá mal…)

 

Encostamos, conversamos, a noite começou a bombar e… Os dois desapareceram com as amigas da loira feiosa. De rosto nem tanto, mas era magrinha, sem bunda, sem peito e sem graça. Mas sabem como são as coisas… nem sempre a maré está para peixe e…

 

Ok, ok, confesso, fiquei com a magrela. Além de ela ser meio feia, prima de uma provável “futura” e meio chata, a mãe dela era muito amiga da minha mãe… Coisas de férias na casa de praia… Mas eram super amigas mesmo. Assim sendo, escaldado por levar tanta bronca da mamãe, resolvi não aprontar nada com a magrela feia e chata, desde que ela se comportasse bem, claro.

 

Nessa época eu morava sozinho… Dez horas da manhã seguinte, o telefone toca… Mamãe!

 

- Filhinho? Dormindo? Não foi trabalhar ainda?

- Mãe, por favor, cheguei em casa às cinco…

- Mamãe está tão feliz…

- É? E por isso me acordou?

- Que bom que você está namorando a Cecília…

- Que? Como assim, encontrei-a ontem… quem “já” te contou?

- Gosto muito da mãe dela…

- Mãe, pelo amor de Deus… não estou namorando…

- Está sim. A mãe dela me ligou logo cedo e me contou tudo…

- MÃE! Foram só uns beijinhos…

- Espero que dê certo, tá na hora de casar… Tchau filhinho…

 

Eu não esperava que desse certo, aliás, esperava que nem “desse”, se é que me entendem.

 

Combinamos de sair novamente na semana seguinte, eu com a feia e meus amigos com as outras (lindas). Fomos jantar e depois a levei para sua casa… Subimos… mais beijos, família dela na fazenda… nós dois sozinhos naquele apartamento monstruoso… banheira… pronto. Nem sei como, mas o fato é que aconteceu… Devo ter sido seduzido… sou muito fácil…

 

Assustado com o “namoro”, com a pegação de pé, com os 4 telefonemas por dia da semana anterior… logo pensei: MM, estás de novo fazendo bobagem.

 

No dia seguinte, sexta-feira, fomos ao cinema. Assistir o que? Atração Fatal. Filme rolando, ela do meu lado prestando mais atenção do que o filme merecia… Olho para a Glenn Close… olho para a Cecília… De novo para a Glenn… de novo para a Cecília… Medo… muito medo. Conclusão, na minha cabeça doida, eu estava “namorando” com a Cecília “Close”. Pior, com aval das mamães. Medo… muito medo, mas poderia ser só impressão, ela ainda não havia demonstrado que pegaria taaaaaaaaanto assim no pé.

 

Saímos do cinema, a levei pra casa – dessa vez sem subir, consegui finalmente pensar com a cabeça que tem cérebro – voltei pra minha casa, arrumei a mala e me mandei para a casa da praia na mesma madrugada. Ufa, estou livre da Glenn até segunda…

 

Acordo feliz da vida… Sento para tomar o café da amanhã e o telefone toca: Patrícia, a prima que eu estava atrás…

 

- Má? Que bom que você veio pra cá, estou aqui na praia também. Vim sozinha… Quer vir tomar sol aqui em casa? Passaremos o dia juntos…

 

Pensei: Se quero? Já estou indo. Ah, mais um fim de semana daqueles gloriosos, dentre tantos que já proporcionei a mim mesmo na praia, aquele tava com cara de magnífico… único…

 

Meia hora depois, nós dois na piscina, apoiados no mesmo colchão flutuante, um de cada lado, olhando nos olhos, combinando um passeio naquela tarde em Ilhabela, enfim, estava ficando “inevitável” ter um final de semana daqueles cinematográficos. Já conversávamos sobre nosso futuro, de mãos dadas sobre o colchão, rostos se aproximando para o primeiro e inesquecível beijo quando aquela voz estridente grita lá do portão…

 

- Mááááá… Ainda bem que te encontrei… Pensa que foge de mim???

- É… não, claro que não, é que… – isso “caindo” do colchão…

- Posso saber o que tá acontecendo??? – Indaga Patrícia, minha ex futura…

 

E foi assim meu final de semana cinematográfico… Atração Fatal… um belo filme. Na vida real não teve cenas de tentativas de suicídio, evidente, mas pode ser que viesse a ter de homicídio.

 

Expliquei para a Paty que…

 

A Cecília “Close” explicou a versão dela… Paty evidentemente acreditou na prima, as duas fora da piscina me xingando de canalha… Quando voltei pra SP minha mãe se disse decepcionada com o ex filhinho do coração…

 

Tudo voltou ao normal… Telefonemas ameaçadores de madrugada, aparições inesperadas da loira em todos os lugares durante uns dois meses… E a Patrícia? Bem, ela mal me cumprimenta até hoje…

 

MM

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10 coisas que os homens tem medo de perder

30 de outubro de 2008 por Bruno Bellucci · 9 Comentários · Agri10

  1. A agenda telefônica
  2. Um jogo decisivo (todos são)
  3. A cueca
  4. As calças
  5. A cueca ao mesmo tempo que as calças.
  6. A chave do carro
  7. O dinheiro do táxi
  8. A habilidade de correr
  9. O telefone de seu amigo policial
  10. O seu nome
    (Não vou escrever 11 porque não gosto de perder minha reputação)

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Azeite – Avareza

30 de outubro de 2008 por Kris Arruda · 6 Comentários · Azeite

Quanto a dinheiro tenho meu passaporte pro céu garantido. Sou mão aberta, do tipo que prefere pagar mais (mesmo sem poder) para não ter que agüentar “encheção” de saco. O preço é baixo na maioria das vezes. Já nas outras coisas, bem, sempre tem outras coisas.

Já disse em algum lugar, não sei se aqui, no blog ou no cronistas, que não sou nada materialista, apesar de adorar gastar, não me apego a coisas, apenas gosto delas. Fora uma camiseta ou outra que uso até rasgar por completo, lembro de poucas coisas que não consegui substituir, trocar ou simplesmente me desfazer.

Já as pessoas, essas me confundem. Tem gente que elimino da minha vida sem o menor pudor, tenha substituto ou não. Tudo tem a ver com o motivo, se for grande o suficiente para preferir não ter a parte boa arranco como erva daninha, esquecendo tudo de bom que já me proporcionou. Geralmente essas pessoas brotam, você não teve nada a ver com seu crescimento, desenvolvimento e vice-versa.

Mas existem as pessoas que eu cultivo. Aquelas que luto para ter em minha vida, que deixam meu jardim bonito de ver e sentir. Com essas o buraco é mais embaixo. Quando eu acredito muito em uma pessoa, invisto. Mesmo que a muda não pareça promissora, que ninguém tenha se interessado, eu teimo em pega-la , planto, rego adubo.

Algumas morrem logo no começo me provando que eu estava errado, então apenas a retiro com carinho e deixo para o próximo. Outras crescem, mas se transformam em algo que eu não previa, daí nada mais certo do que doar para outro jardim, que combine mais com a bela planta que se tornou.

O problema é quando pego uma muda, cuido, até falo com ela, e a danada cresce e floresce como nenhuma outra do jardim. A essas me apego, mesmo porque são as mais difíceis de cuidar. Você sabe por tudo que passou para vê-la daquele jeito. Sabe quantas vezes achava que a ia perder, e mesmo assim insistiu e conseguiu mantê-la viva.

O problema é que nem sempre essa pessoa combina mais com seu jardim. Ás vezes precisa de espaço, outras uma terra mais fértil ou até mesmo um lugar onde bata mais ou menos sol. E quando acontece isso, eu insisto, teimo em não doar a coitada, achando que mais uma vez as coisas vão melhorar e ela vai florescer. Mas nem sempre é assim. E de repente você a vê morrendo. E sabe que se não desistir vai a acabar matando e paralelamente, todo seu jardim.

Só aí que me desapego, percebo que nenhuma daquelas pessoas que cultivei são minhas, levam meu carinho, amizade, adubo, mas não são e nunca serão minhas. Elas só aceitam ou não florir o meu jardim. E  já que eu não sou muito fã de plantas, melhor que tenha sempre um jardim bem florido. Custe o que custar.

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Ana Cecília - Semana 09

29 de outubro de 2008 por MM · 3 Comentários · Ana Cecília

 

Ciça estava verdadeiramente furiosa quando nos falamos nessa última segunda-feira. Tentamos acalmá-la, mas não teve jeito.

 

Perguntamos como havia sido a semana de trabalho e nada, ela só queria descarregar sua raiva. Por que? Bem, melhor deixá-la explicar com suas palavras:

 

- Mal vi o Luciano a semana toda. Tudo bem que não estamos namorando oficialmente, mas estamos juntos de alguma maneira. Eu queria ir ao cinema, mas ele sai sempre muito tarde do trabalho.

 

É sempre o trabalho em primeiro lugar. Já estou me acostumando e me cansando disso. Fui assim mesmo com uma amigo. Depois fomos comer e ele me convidou para ir a uma festa na sexta. Perguntei se poderia levar o Lu e ele concordou.

 

Até aí tudo normal, o Luciano topou e fomos. Encontrei umas amigas e ficamos com elas numa mesa. Tenho uma amiga, dos tempos de faculdade que sempre foi uma invejosa daquelas de marca maior.

 

Ana Cecília mal respirava, continuou falando sem parar…

 

- Assim que nos acomodamos, fui ao banheiro e ela foi junto, veio com um papo de que não sabia que eu “já” estava namorando e eu expliquei que o Luciano não era meu namorado, apenas estávamos nos conhecendo e saindo juntos algumas vezes. Pra que…

 

Ela volta pra mesa e na maior cara de pau, começou a puxar papo com ele e pior, ele entrou na dela e não me deu atenção. Aquela educação e gentileza toda que ele sempre teve comigo simplesmente desapareceram. Fiquei com tanto ódio dele…

 

Nesse momento eu a interrompo…

 

- Ciúmes?

 

- Não ciúmes, raiva mesmo, dela e dele. Achei que a Jackeline foi de uma sem vergonhice única e ele de uma indelicadeza que não estou acostumada. Isso não é coisa que se faça. Quando ele foi ao banheiro uma hora, eu peguei minha bolsa e fui embora de taxi.

 

Ele me ligou a noite toda, mas desliguei meu celular e só fui ver as ligações no sábado de manhã. Não falei mais com ele, não retornei as ligações nem mensagens.

 

Vou dar uma gelada porque se ele quiser sair comigo novamente, vai ter que se comportar como um homem e não como um galinha.

 

Diante disso, o que eu e o Kris poderíamos esperar? Nada, desligamos e desejando que tudo se acalme durante essa semana.

 

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Os 7 Pecados Capitais : AVAREZA

29 de outubro de 2008 por Ricardo Laganaro · 5 Comentários · Açúcar

Ô pecadinho safado, esse! Quer dizer … safada é a luxúria, mas, vamos lá … pecadinho vagabundo! Droga … também … Enfim, o fato é que a avareza é tão chata que até foi traduzida errada para o português. Segundo pesquisas rápidas na internet, no sentido cristão (o tema são os 7 pecados capitais, certo?), estamos falando na verdade de ganância : a vontade exagerada de possuir qualquer coisa. Algo que se opõe à generosidade e, principalmente, deixa Deus de lado.
E daí? Girei que nem peão e não consegui achar nenhuma definição mais interessante do que a do editorial : “o avarento é a pessoa que tem medo de perder algo que possui”.
Usando esse conceito, portanto, me considero muito pouco avarento. São poucas as coisas que me despertam esse medo. Na verdade, pensando com calma, acho que só sou (muito) avarento em relação a uma coisa : bons momentos.
Um breve resumo da minha vida : Eu sempre fui “nerd”. Ótimo em exatas. Caminho absolutamente aberto e promissor para engenharia ou algo assim. Decidi fazer publicidade (odiando, na época, redação e literatura;  sem menor aptidão e conhecimento para artes gráficas). Entrei nas duas (ditas) melhores faculdades do país. Me formei nas duas. Bom, aí eu poderia trabalhar onde quisesse, no marketing de um grande banco multinacional, por exemplo, certo? Certo … mas eu recusei a proposta, joguei tudo pro alto e decidi estudar cinema. Nessa área, todas minhas qualidades aparentes, que sempre me colocaram em boas condições nas carreiras que fui descartando ao longo da vida, não serviam de nada. Comecei de zero, abrindo mão de todas as chances de estourar de cara.
Por quê?
Porque achava que o cotidiano em qualquer uma dessas carreiras não me traria mais bons do que maus momentos ao longo da vida. Sempre tive pânico de comprar a felicidade dos dois dias por semana, trinta dias por ano, com todos os outros dias “úteis”, num trabalho que não me fizesse ser uma pessoa mais interessante (para mim mesmo).
E por que estou contando essa história meio metida à besta? Por que essa tal avareza de bons momentos é que me impulsionou nessas “bobagens” todas.
O mais curioso é que olhando dessa forma, a minha ganância provocou um estilo de vida bem desprendido. Desde que comecei a trabalhar na minha área, pouquíssimas vezes, segui um caminho usando a questão financeira como fator  decisivo. Quase sempre, troquei o certo pelo incerto.

(Cabe uma ressalva grande aqui : eu adoro luxo, conforto e tudo de bom que o dinheiro proporciona. Almejo, com essas decisões que citei, uma carreira sólida e bem construída que, lá na frente, vai me proporcionar todo o conforto e recompensa que eu já gostaria de ter. Muitas vezes, me vejo emputecido – pensei em outro termo, mas nenhum era tão exato –  com as privações que passo por essa postura, e não acho isso nem um pouco admirável ou bonito. A questão é que, apesar da revolta, ainda não me convenci de que vale a pena trocar a carreira que já proporciona um tipo de vida que eu sempre almejei, por outra que vá me dar, a curto prazo, um carro melhor, mas que tem como principal acessório a “síndrome do domingo à noite”.)
Mas esse site é sobre vida profissional ou relacionamento, Ricardo? Relacionamento, querido leitor, porém, não tinha exemplo mais concreto e consistente pra falar sobre a minha avareza, do que minha carreira profissional até aqui. Além disso, pelos motivos que já citei, tento unir o máximo que posso, todas minhas vidas.
Nunca quis ser o cara que tem a vida profissional pra mostrar pra sociedade, a vida familiar pra mostrar pra consciência, a vida adúltera pra satisfazer desejos reprimidos e por aí vai…
E quem me obriga à busca dessa união é o medo que tenho de perder os bons momentos de verdade.
Nos relacionamentos, não fujo dessa lógica. Não vejo sentido em estar com alguém que me proporcione mais maus do que bons momentos. Não me permito, aliás.
Talvez por isso eu esteja solteiro há tanto tempo. São pouquíssimos os relacionamentos que conheço, a alcançarem esse nível “recomendado” de bons momentos por dias vividos.
Quem sabe, essa avareza de bons momentos também me faça ser seletivo demais com meus relacionamentos, mas … assim como na vida profissional, tenho essa predisposição por caminhar pelo caminho mais longo, complicado e distante.
A grande pergunta é : será que a recompensa virá? Será que terei todo conforto e tranqüilidade que me considero digno no futuro? Será que, na hora que encontrar, terei uma mulher que me proporciona um bem inimaginável?
Não sei, amigos … essas perguntas vivem me tirando o sono, inclusive. Porém … até agora, olhando pra trás, apesar dos contras, os bons momentos ainda superam os maus. E aí, ainda em prol de tudo que acredito, eu estou respeitando a minha ideologia avarenta.
E sigo caminhando…

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Vinagre - Avareza

28 de outubro de 2008 por M. Boudakian · 7 Comentários · Vinagre

Eu não gosto muito de teatro, mas das poucas peças que li, uma se destaca. O Avarento de Molière. Arrependi-me por não ter ido ver a peça. Imagino que tenha tido seu protagonista brilhantemente interpretado por Paulo Autran, excelente ator quando vivo e túnel, igualmente excelente, quando morto.

Essa peça tem uma das frases que eu gostava quando era pequeno e ganhava dinheiro para comprar lanche na escola.

- “Meu dinheirinho, meu rico dinheirinho!”

Frase essa que eu lia nos gibis do Tio Patinhas, e só depois descobri que poderiam ter sido inspirados na peça de Molière. Eu não sei se foram ou não, mas gosto de imaginar que sim.

Apesar de gostar de bancar o avarento, até pelas brincadeiras dos colegas, que sei lá porque acham que todo libanês é pão duro, me considero uma pessoa generosa.

Eu sei que falando isso talvez eu convença o Deus no qual eu não acredito em me perdoar um pouquinho. Eu me acho mais generoso do que eu deveria ser. Basta ver que não guardo grande volume de dinheiro, que me desfaço de tudo que é velho e não uso mais, e que até empresto algumas coisas para algumas pessoas, umas duas no máximo.

Nunca fui de contar as coisas nos centavos e sempre achei que tanto o dinheiro quanto as coisas que ele compra estão por aí para serem aproveitados. É lógico, quando a coisa é muito especial e eu só tenho uma, não consigo usar. Quero guardar. Não por avareza, mas por medo de nunca mais ter aquilo de novo.

Para mim a questão de compartilhar está muito mais ligada a com quem vou compartilhar do que com o que vou compartilhar. Tem gente que não merece algumas coisas. Tem gente que não está preparada para tomar um uísque puro malte sem gelo, ou ainda fumar um charuto Cubano e aprecia-lo em sua completude.

Isso vale para tudo, penso eu, para o tempo inclusive. Sou muito egoísta com o meu tempo. Ele é meu, e não saio distribuindo por aí como se fosse mato. Acho que é meu bem mais valioso e gasto com muita cautela. Igual ao velho Avarento de Molière.

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Biscoito da Sorte

28 de outubro de 2008 por Zuluah Fernandez · 9 Comentários · Esocética

Na semana passada, saí para jantar com um amigo que é professor de Filosofia Mística e resolvemos comer comida chinesa. Eu adoro. Ele também. Fomos a um restaurante muito famoso em Moema.

Conversamos muito e depois que jantamos, recebemos os tradicionais biscoitos da sorte. O dele não falava nada interessante, mas o meu dizia assim:

“Mudanças estão acontecendo, mas são contra você”.

Gente, eu fiquei tão abalada que passei até mal. Sorte meu amigo estar comigo.

O que quer dizer um biscoito desses? Como as mudanças que estão acontecendo podem ser contra mim? O que eu fiz de errado?

Meu amigo disse que aquilo foi um sinal. Porque estou mudando de casa e ele acha que não serei feliz na casa nova. Liguei pra minha amiga Joyyce na hora e ela também ficou horrorizada.

Eu achando que as mudanças que estavam ocorrendo na minha vida seriam boas e leio uma coisa daquelas? Nem preciso dizer que fiquei tão abalada que resolvi pensar melhor se mudo de casa ou não.

Eu fui tão feliz aqui na casa onde moro que só estava mudando porque a outra casa é maior e mais confortável. Aqui, mesmo sendo um apartamento pequeno, vivi emoções deliciosas, foi incrível quando o Antonio Augusto me pediu em casamento (eu não aceitei, mas foi o máximo), lembro de um Natal inesquecível ao lado das amigas Leka e Marina e também jamais vou esquecer que foi aqui nesse apartamento que eu aprendi a ler cartas. Ai gente, foram tantas coisas que nem me lembro mais.

Agora não sei se devo ou não largar todas essas lembranças e mudar para uma casa onde não lembro de nada.

Amadeu, o meu amigo professor me disse para ficar calma que aquele biscoito nada significava. Eu não sei, uma hora ele diz que é um sinal, outra que não era nada de mais. Evidentemente que ele viu minha agonia e quis me reconfortar.

Como ele é muito gentil, pediu para o garçom um biscoitinho extra. Nervosa, custei a quebrá-lo para ler o que estava escrito. Finalmente abri:

“O que você faz pode ser insignificante, mas é muito importante que você faça”.

Perguntei para meu amigo: E agora, o que faço? E ele sabiamente me respondeu:

- Zu, na vida é importante darmos significados às coisas mesmo que elas pouco signifiquem, porque somente assim a intuição poderá nos guiar através dos ocultos caminhos da verdade.

Depois de uma resposta dessas, resolvi decidir o mais rápido possível.

Número da semana: 11 (Mês de novembro entrando, número da perfeição)

Bjokinhas

Zuluah

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Editorial - Avareza

27 de outubro de 2008 por Kris Arruda · Nenhum Comentário · Editorial

Continuando a seqüência dos 7 Pecados Capitais, essa semana falaremos sobre a avareza. O pecado que todos consideram característica dos pão-duros por aí, é muito mais do que não querer gastar dinheiro ou dividir seu chocolate. O avarento é a pessoa que tem medo de perder algo que possui. Ok, mas quem não tem?

Mais e mais vamos enxergando como é difícil escapar de cometer os Pecados que supostamente te levariam para o inferno. A avareza faz com que se tenha a impressão de que perder algo pode ser um desastre. Por isso não abre mão do que tem. Não troca o certo pelo duvidoso.

Como a semana passada, acredito que teremos pontos de vista interessantes e diversos essa semana.

Como sempre, Zuluah traz mais uma de suas histórias/dicas esotéricas, enquanto o Bruno, bem, o Bruno faz o que ele bem entender. Sexta o aconteceu comigo é do Marcelo, então podem esperar mais uma de suas aventuras repletas de classe e romantismo. Hein?

Boa semana.

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O que é meu é meu!!!

27 de outubro de 2008 por MM · 8 Comentários · Sal

 

Eu odeio fazer pesquisas, de qualquer tipo. Ainda mais quando é para dar opinião sobre alguma coisa em um texto, por exemplo. Acho que tenho que saber tudo e ter opinião sobre tudo. Sim, humildade passa longe de mim. Assumo sem problemas. O tema dessa semana é confuso. Eu tive que pesquisar.

 

Avareza nessa minha cabeça sempre foi sinônimo de Pão Duro. É e não é, a coisa não é tão simples assim. Achei em minha biblioteca particular, a quem carinhosamente chamo de Google, uma infinidade de citações para a palavra, 189.000 pra ser exato, 547.000 para Pecados Capitais. Não li todas, evidentemente. Mas achei coisas interessantes.

 

Possessividade, egoísmo e, segundo o Cristianismo, ganância. Eu já misturo tudo e acho que ganância deveria estar mais perto da Gula, mas quem sou eu pra questionar o Cristianismo.

 

Sou possessivo. Sou egoísta. Não sou ganancioso e sim ambicioso. Ok, deixemos a ganância de lado. Vamos à posse. Diz meu amigo Google que avarento é o cara que tem dificuldade de abrir mão do que tem. Não me apego à coisas dessa maneira não, mas à pessoas sim. Sou de fato um ser possessivo ao extremo.

 

Sei que ninguém é dono de ninguém, mas isso é bobagem de teorias subversivas. Sou dono sim e como tal, cuido do que é meu. Não sei se cuido bem ou mal, isso não vem ao caso, pois deve ser perguntado não a mim e sim a quem tomo posse. Não dou a mínima para certo ou errado, cuido do meu jeito e pronto.

 

Não sou uma pessoa fácil de se conviver, porém, costumo deixar as coisas bem claras, coloco as cartas na mesa logo no começo de uma relação que pretenda levar a sério. O que é meu é só meu. Ponto final.

 

Quando percebo que a pessoa não quer esse tipo de relação, abro mão facilmente, pois entendo que ter alguém que não me quer na mesma proporção, me fará mal um dia. Aí entra meu fervoroso egoísmo – instinto de preservação como já defini em centenas de textos – que me faz pensar em mim em primeiro lugar. Disso não abro mão, por maior que seja o amor que esteja sentindo pelo objeto de posse.

 

Também encontrei em minha pesquisa algo interessante. Não me lembro onde, estava escrito que avareza pode ser aquele sentimento… “Não confio em ninguém”. Achei meio nada a ver, mas como esse é meu lema, gostei. Tudo o que leio e que me identifico acho bacana.

 

Pois então, o tal não confio em ninguém é no sentido de guardar seus bens a sete chaves, sem deixar que ninguém chegue perto. Aí já beira a insanidade. Guardo meus bens – no caso pessoas – mas se elas quiserem ir embora com alguém que tenha chegado perto, que vão.

 

O que gosto do “não confio…” é no sentido humano da expressão. Humano “MMmente” falando… Seres humanos são a raspa da raspa do mundo, portanto, não confiáveis. Isso pode ser deixado para outros temas, não? Quando formos discutir confiança ou qualquer coisa do tipo.

 

Enfim, se avareza é de fato algo relacionado ao sentimento de posse, deixando fora da discussão aquela posse doentia, devo ser um cara avarento. Pelo menos enquanto a relação me satisfizer. Depois que o caso termina, não sinto posse alguma.

 

Até pensei em escrever esse texto sob essa ótica, posse pós relação, mas teria que dar nomes aos bois – Vacas, no caso (Vacas no sentido contrário de Boi, por favor entendam…) – e como sei que muitas das minhas ex lêem o que escrevo, entendi ser melhor não despertar nelas a Ira… Pecado que será discutido em breve…

 

MM

 

 

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Brincando de ser gulosa

24 de outubro de 2008 por K · 2 Comentários · Pimenta

E o assunto é gula. Nesse eu sou letrada. Sempre brinco com meus amigos que tenho um alien dentro do estômago. Sou “fominha” desde que chorei pela primeira vez lá na maternidade, o que não me ajuda muito a ser uma “Gisele Bündchen”. Ser magrela, com sorte, só daqui a umas três encarnações. Depois que eu me livrar da maldição do Alien. Enquanto isso, sigo com minha tendência maníaco-compulsiva. Especialmente por chocolates. Todos.

A questão é que meus ‘namorados’ sempre usaram esse “fraco” para obterem vantagens. Sexuais. É claro. Se queriam me convencer de algo, já vinham com uma caixa de “Godiva”… Sim. A isca funcionava. Eu sempre caía na armadilha. Então tenho duas histórias para contar hoje. Uma vexatória (para não perder o costume de me escrachar) e outra extremamente inesquecível.

Vamos ao vexame. Tinha um “quase” namorado que tinha tara por comer enquanto transava. E um dia o sujeito resolveu “jantar” uma macarronada em cima de mim. Enquanto o moço se deliciava na minha barriga (e, em outras partes que não precisam ser mencionadas aqui), eu olhava para o teto com espelho e só pensava: “mas você é uma ridícula”. Era uma cena tão Freddy Krueger!!!! Me senti num trailler de terror à molho bolonhesa. Nem preciso dizer que fiquei muito tempo sem comer macarrão. Logo eu! Que adoro. Mas, era ver o macarrão e me lembrava da cena patética.

Mas, entre um fetichista e outro, tive uma experiência completamente deliciosa. Estava numa cidade da Alemanha, a trabalho, possessa de ódio porque a internet do quarto do hotel (que era uma fortuna) não funcionava, e eles não estavam ligando à mínima para o meu problema. Era um dia 20 de novembro. Aqui no Brasil, Dia da Consciência Negra. E eu tinha que entregar um texto para um jornal no qual trabalhava na época e já estava muito atrasada por conta do fuso horário. O namorado, que me acompanhava na viagem, pedia para eu ter paciência. Mas, ele não entende bem dos “prazos” das redações ao qual nós, jornaleiros, digo jornalistas somos submetidos. E o chicote dos editores.

E eu, na minha pequena crise histérica, gritava que ia perder o Dia da Consciência Negra! Precisava mandar o texto! Que aquilo era importante! Ele achava engraçado primeiro porque infelizmente eu sou mais branca que leite, e sempre quis ser mais “pretinha”. Deus não quis. Nem a genética permitiu. E segundo estávamos no lugar com mais “branquelos” por metro quadrado do mundo. Onde aquela histeria toda não fazia o menor sentido e ninguém se sensibilizaria em devolver a internet ao meu quarto por conta do Dia da Consciência Negra.

O namorado, numa tentativa de me acalmar, me levou para dar um volta pelas ruas fantásticas desta cidade onde estávamos, e onde não faltam lojas de chocolate. Uma mais tentadora que a outra. Entramos. E logo de cara vejo uma daquelas cascatas de chocolate derretido. Quase quem derreteu fui eu. Viro criança. Saímos de lá com muitos, muitos, muitos chocolates. Além de um vidro, do tipo geléia, de um creme de chocolate delicioso, que era bem parecido com uma calda.

Já de volta ao hotel, tentei me entender com a “alemãzada”, sem sucesso. Voltando ao quarto, o namorado pediu para eu esquecer. Que aquilo já estava perdido mesmo. Que eu não conseguiria entregar o texto. E, numa genial idéia, apagou as luzes e colocou nos meus olhos uma venda – que na verdade era um lenço de pescoço que eu tinha acabado de usar, por conta do frio.

Aviso aos navegantes: a partir desse momento esse post contém cenas fortes de sexo, amor, possessão e safadeza. Se você for padre, menor de idade, carola, careta, frigida ou estiver em horário comercial, não leia.

Foi nesse dia que descobri um pouco mais dessa brincadeira chamada gula. E como ela está ligada a algo muito mais importante: às sensações. De olhos vendados, entregue, o namorado abriu o pote de calda de chocolate, melava um dos textos e os colocava na minha boca. Um, dois, três dedos. A calda ia descendo pelo canto da boca, pelo pescoço, seio… e ele lambia. O mais gostoso dessa brincadeira é que o desejo pelo chocolate e pelos dedos dele dentro da minha boca não acabava nunca. Gula pura. Gula, desejo e sentidos. Uma experiência deliciosa. Só quem não gostou de eu ter virado a “Globeleza de chocolate” foi o hotel. Que encontrou o quarto depois “marrom”. Tivemos que pagar a cortina, que foi completamente danificada. Mas, valeu cada eurozinho pago ali.

Quando falo de gula, seja ela que tipo for, me lembro sempre da escritora Hilda Hilst. E, especialmente, de um livro dela chamado “A Obscena Senhora D.”, que magistralmente em algumas poucas frases traduziu essa relação da boca com o desejo, com a gula. Ela disse que a ‘paixão é grossa artéria jorrando volúpia e ilusão, e é a boca que pronuncia o mundo’. E por isso que a boca tem uma forme eterna de outra boca. E que o prazer do olho é que faz abrir a boca. E pergunta: “Que alma tem essa sua boca?”

Deixo essa pergunta – plagiada da minha amada Hilda Hilst…

Que alma tem essa sua boca gulosa?

A minha? Bom… a minha boca tem gosto de alma perdida. Assim como a boca da Mônica Bellucci num filme que vi outro dia.

Ela diz estar com fome. E você? Está com fome?

Sejam gulosos!

Beijos!

K. (Incompletudes)

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