Entries from setembro 2008

Acho que todas as pessoas querem saber seu futuro. Por mais que nos digam que nós escrevemos nosso futuro, a gente sempre quer dar uma espiadinha e saber antes o que vai acontecer. E cá entre nós, ter o controle de algumas coisinhas não faz mal a ninguém, não é verdade?
Eu sou assim também, vivo querendo descobrir o que vai me acontecer, se vou conseguir tudo o que desejo e quando. Hoje vou falar sobre o Baralho Cigano, ou Tarô Cigano (Esse site que estou indicando é o que explica melhor).
Sou muito cética para algumas coisas, mas na semana passada tive uma recaída e tudo por causa de um sonho. Fiz uma consulta com uma mulher que foi de arrasar. Uma amiga a conhece bem e sabe que ela tem origem cigana, raízes, sabe? É super-hiper difícil de conseguir a consulta, por não ser cobrada. Mas essa mulher é carta única, diz a lenda que o verdadeiro baralho cigano tem que ser lido por uma mulher. E em minha opinião, melhor ainda se a minha “cigana” for de família cigana, não é mesmo? Apertei aquele botão vermelho de emergência e fui lá na quarta-feira passada.
Sobre meu sonho: Na verdade não me lembro, e isso me deixou perturbada aquele dia inteiro, era o meu lado sensitivo que estava me incomodando. Eu sabia que havia algo importante para acontecer e eu tinha que fazer alguma coisa, então fui… sozinha.
Chegando, ela rezou em uma língua estranha para entrarmos no clima e logo começamos a consulta. Depois de 2 cartas, ela tirou uma que me assustou. Gente, eu entendo muito pouco de baralho cigano, sempre me atrapalho, mas a figura de um caixão assusta, né? Ela me explicou que aquela carta junto com as outras era sinal de mudanças boas e disse que eu receberia um presente fora de hora. A princípio nem liguei porque estou acostumada a entrar em cartomantes e elas me dizerem coisas sem sentindo etc. e tal. Como minha amiga disse que a Cigana era boa, insisti para ela me dizer mais.
Ela continuou: Você vai receber uma grande quantia em dinheiro de uma pessoa que está muito doente. Doente? Me preocupei novamente por causa daquela figura na carta.
E na hora me veio a lembrança de minha avó. Era isso, eu havia sonhado com a minha avó! Fiquei com uma ponta de duvida se eu havia mesmo sonhado ou estava sendo induzida. Eu custo a acreditar, sabe? Tinha que tirar essa dúvida assim que a consulta acabasse.
No caminho de volta, liguei pra vovó e ela estava bem e me convidou para almoçar no domingo. Quando lá cheguei, qual foi minha surpresa? Vovó Isaura me disse que deixará seu apartamento para mim, que sou sua única neta.
Gente! Dá pra acreditar que a Cigana previu tudo isso? Eu estou pasma até agora. Fiquei tão feliz que vocês nem imaginam. Apesar de ter ficado muito triste com os problemas de saúde da vovó. Ai, nem sei o que pensar…
A única coisa que digo a vocês é que esse baralho cigano é incrível.
Número da semana: 6 (Número dos Mistérios Maiores)
Muita luz pra vocês.
Bjokinhas

Zuluah
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Machinho é o Sr. seu Avô!
Quanto mais, melhor. Quanto melhor, menos. Eu gostaria de deixar apenas essa frase para expressar minha opinião sobre o tema, mas os chefes me contrataram para escrever textos e não frases.
Começo discordando do comentário da Cris no texto do chefe MM quando ela diz que somos como os animais. Não somos nada parecidos com os animais. Se fossemos, bem não estaríamos tendo essa conversa, certo? Quando os animais querem fazer sexo eles vão lá e fazem, se tiver outro macho atrapalhando, eles matam e se a fêmea estiver com viadagem leva mordida, arranhão, tapa na cara, etc.
Obviamente não quero dizer que as fêmeas são pobres vítimas, pois veja o caso da viúva negra ou ainda do gafanhoto, em que os machos menores e fracotes são devorados após cumprirem com seu dever reprodutivo, ora. A fêmea precisa de comida, ta fácil. Não somos nada como os animais.
A verdade é que sempre temos que obedecer a uma série de rituais, regras e provocar algumas situações antes de fazer sexo, desde as mais complicadas até as mais simples, mesmo quando estamos solteiros até quando estamos casados (não saberia falar sobre isso, mas minha avó sim, apesar de eu não aconselhá-la a fazê-lo).
Então a freqüência não é resultado proporcional da vontade de fazer sexo apenas, e sim uma combinação disso com a vontade de provocar a situação adequada e ainda contar com a receptividade da outra parte. Cansou?
Eu não saberia dizer se há uma freqüência ideal ou não. Só posso dizer que ficar muito tempo sem faz-lo não é muito saudável. E fazer o tempo todo é no mínimo enjoativo. Porém, acho interessante termos momentos distintos e de certa forma antagônicos. Variar entre períodos de bonança e períodos de ausência.
Dessa forma pode-se achar um equilíbrio da falta de um e de outro, no ponto em que nenhuma das situações fique enfadonha.
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Como tudo nessa vida, não existe regra para isso. Se existisse, daríamos um jeito de quebrá-la, pelo menos eu daria, odeio regras. Pensando sobre o tema dessa semana, acho que nunca me importei com a freqüência que tive na minha vida.
Quando nos relacionamos com alguém por muito tempo, o sexo no começo é incrível, afinal, as descobertas se dão nesse período. Conforme o tempo passa, já sem muita coisa por descobrir, a transa cai num modo automático: Tirar a roupa, transar, tomar banho, dormir. Uma ou outra coisinha diferente, mas no frigir dos ovos é só isso. O bom disso tudo é que quando há sentimento, o “só isso” é muito bom. Diria que é até melhor do que a constante troca de parceiros… É bem melhor agradar alguém do que tentar agradar… Se é que me entendem.
Se alguém aí que estiver lendo perguntar para um cara casado, até mesmo recém casado quantas vezes ele “dá uma” (Nossa, que baixo) por semana ele dirá que no mínimo três. Eu afirmo: Isso é mentira! Pode até ser verdade no comecinho das relações, mas depois de um tempo, repito, é mentira!
Os tempos modernos trouxeram no “pacote” a falta de tempo, o stress, as preocupações e não há nesse mundo quem consiga se livrar disso a ponto de querer transar toda hora, ou todo dia, a menos que consiga separar bem as coisas e abstrair a ponto de conseguir fazer sexo sem a influência das preocupações do dia-a-dia.
Enfim, eu vivo da seguinte maneira no que diz respeito à freqüência do sexo: Faço sempre que tenho vontade. Simples assim. Solteiro ou casado. Jamais caí no papinho da dor de cabeça feminina, se estou com vontade, dou um jeito de fazê-la ter vontade.
Nada por obrigação, jamais. Tenho um amigo que reclama que “tem” que transar com sua mulher quando não está a fim. Acho um absurdo, mas não tenho nada com isso. O que faço quando escuto uma asneira como essa é tentar me posicionar e analisar como é que está a minha relação. Normalmente a coisa anda melhor quando há o desejo e comigo sempre foi normal sentir desejo.
Para sabermos se a “freqüência” do sexo nas minhas relações é saudável, teríamos que perguntar às minhas ex-parceiras ou até mesmo para a atual, mas isso não é assunto que se toque, pelo menos não publicamente… Já na intimidade, as mulheres devem falar muito mais sobre o assunto do que os homens.
Para nós homens, esse assunto é quase proibido. Poucas vezes conversei com meus amigos sobre o tema, e quando a conversa surgiu, podem ter certeza de que não partiu de mim. Eu trato intimidade com discrição.
Finalizando e tentando dar um sentido ao tema dessa semana, eu digo que para mim a freqüência do sexo pouco importa, o que conta é o desejo, a qualidade e não a quantidade. Sexo aparentemente é tudo igual, mas só aparentemente, graças a Deus.
Acho apenas que não devemos ficar sem sexo por um longo período. Como sabemos que isso acontece nas relações, é melhor tentar descobrir os motivos desse afastamento, dessa falta de desejo. Algo mais sério pode estar acontecendo. Como descobrir? Ah, cada um com seus problemas.
MM
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Não podemos deixar passar em branco, temos que agradecer a todos pelas visitas aqui no Agridoce, afinal, os números estão acima do que esperávamos para esse primeiro mês de site.
Essa semana falaremos sobre a freqüência do sexo nas relações. Queremos discutir isso, ver as opiniões de nossos colunistas e também dos leitores. O que você acha? Qual freqüência é o ideal para se manter uma relação saudável? Existe regra pra isso?
Ainda não sei sobre o que nossa querida Esocética vai falar, mas com certeza ela virá com alguma novidade sobre o mundo do além.
Ana Cecília entra na sua quarta semana e vamos descobrir a quantas anda sua tristeza, vamos tentar descobrir se ela está superando a traição, se melhorou seu astral.
Brunão como sempre virá com suas listas machistas e politicamente incorretas e já está conquistando seu público com seu jeitinho meigo de ser… Será que ele vai fazer uma lista sobre sexo para aproveitar o tema? Vamos aguardar e conferir…
Fechando a semana, Kris Arruda nos brindará com mais um Aconteceu Comigo, aqueles causos reais que dividimos com vocês leitores.
Bem vindos ao Agridoce e obrigado pelo prestígio. Mas lembrem-se, ainda estamos aguardando suas dicas, sugestões e críticas… Nossa intenção é trabalhar para divertir vocês.
Beijos e boa semana a todos.
MM
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Tudo começou quando eu namorava a Marisa. Na verdade, antes… Conheci a Silvana, ou Silvaninha, como era chamada na escola (era pequena, tipo mignon), um pouco antes. Trocamos alguns beijinhos e nada além disso…
Os anos se passaram e a Silvana era aquele tipo de amiga para todas as horas… aquela relação legal, aberta e nos “obrigávamos” a sair quando nem eu nem ela tínhamos algo diferente para fazer.
Mesmo quando eu namorei sério com a Marisa, relação de um ano e meio, jamais deixei de sair com a Silvaninha. Eu era muito fiel a ela. Nada mais justo, tínhamos o poder de transformar péssimas horas em excelentes momentos.
Silvana era conhecida lá em casa, mesmo que minha mãe jamais a tenha visto pessoalmente, elas se falavam por telefone vez ou outra. Eu levava bronca da minha mãe que queria por que queria entender minha relação com a Sil. Não se conformava em ser minha cúmplice por acobertar minhas escapadas… A Marisa era a preferida dela e obviamente que se sentia mal por me ajudar a manter as coisas escondidas. Mas mãe é mãe, faz tudo pelo filho.
Essa relação com a Silvana durou séculos, dez anos depois de conhecê-la ainda nos víamos. Quando eu fui morar sozinho, aí a coisa desandou de vez. Eu estava livre, feliz e, como bom moço, mantinha minhas relações intactas. Silvana freqüentava muito minha casa e naquela época estávamos muito próximos de assumirmos nossa relação. Isso, estávamos “negociando” começar a namorar pra valer. Para ajudar, veio o feriado da semana Santa…
Eu não levava nada a sério, morando sozinho, tinha poucos motivos para me enroscar numa única mulher. Por esse motivo, não eram poucas as amiguinhas que freqüentavam minha casa, para me fazer companhia nos sofridos dias de solidão, sabe? Mônica era uma delas…
A conheci quando tinha 24 anos, num Carnaval em Ilhabela. Três anos depois eu ainda saía com ela. Era um cara muito sério, mantinha minhas relações por muito tempo. Mônica tinha casa numa praia ao lado da minha, mas naquele feriado, seu irmão levaria os amigos, portanto, ela ficaria em São Paulo… sozinha, tadinha.
O problema é que eu e a Silvana estávamos dispostos a nos acertar e nem dei bola para a solidão da Mônica, homem sério é homem sério, não cai em tentação, mesmo sabendo que a Mônica tinha aquele corpo perfeito, era loira, olhos verdes, possuía dois enormes… Deixa quieto.
Enfim, a Silvana era morena, tão bonita quanto e estávamos numa sintonia boa… Por que me meter em enrascada? Nada disso, pensei, vou para a praia com ela. Ligo para minha mãe e aviso que, depois de dez anos de conversas telefônicas, ela conheceria pessoalmente a tão querida Silvaninha.
Pronto. Tudo resolvido. Ligo para a Silvana naquela quarta à noite, e a convido para irmos para Guaecá, lá teríamos todo o tempo do mundo para nos acertar e começar nosso tão protelado namoro sério. Ela ficou radiante! Depois, ligo para a Mônica e aviso que não vou sair com ela porque vou para a praia. Ficamos mais de duas horas no telefone… Um papo bom…
Dia seguinte, quinta-feira Santa, pego a estrada e vou feliz da vida passar um final de semana delicioso ao lado de uma mulher linda, sensual, divertida e o mais importante: Apaixonada. Assim que estaciono na garagem lá da casa da praia, descemos do carro e minha mãe aparece com os braços abertos e desembesta a falar sem respirar:
- Até que enfim! Finalmente vamos nos conhecer pessoalmente, hein Silvana? Depois de tantos anos, de tantos papos que tivemos por telefone… nossa, muito prazer em te conhecer. Como você é linda!!! Que cabelo, que sorriso mais lindo e…
Enquanto observo as duas se abraçando, interrompo…
- Mãe! Mãe! MÃÃÃÃE !!!
- Oi filho, fala…
- Então… essa é a Mônica. Mônica, essa é minha mãe!
MM
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“Perdoai as nossas ofensas, assim como perdoamos a quem nos tenha ofendido.
E não nos deixeis cair em tentação, nos livrais do mal. Amém”.
Quem nunca rezou a modinha acima que me jogue a primeira pedra. Eu, filha de pais católicos, nasci católica por pura e exclusiva pressão. Outro dia li, num livro da francesa Muriel Barbery, que só mesmo a psicanálise pode concorrer com o cristianismo em matéria de amor aos sofrimentos que duram. E nada, mas, nada é tão marcante nas religiões que o amor à culpa (pelo destino, no meu caso a Católica – mas, o conceito se enquadra a qualquer outra).
Somos culpados antes de nascer! Ai de nós! Tudo culpa de Eva… aquela maldita! Foi lá comer a tal maçã. Culpada! Culpada! E, pronto. Veio a condenação. Sua pena: expulsa do paraíso e maldição para todos os seus descendentes. Estamos pagando até hoje por um desviozinho insignificante. Cá entre nós, quem é que nunca comeu do fruto proibido? Cada um sabe qual é o seu. Será necessário repetir o versinho primeiro 30 mil vezes para nos safar de uma condenação maior (o espeto do diabão) e nos livrar do mal, amém.
Culpados? Sim meus caros… somos todos culpados. De quê? Sei lá. Lá na paróquia da minha infância residiam muitos “ex” alguma coisa. Ex-ladrão. Ex-prostituta. Ex-malandro. Ex. Ex. Ex. Todos pagando por suas culpas do passado. Eu não sou ex-nada. Sou culpada a priori. Mas, não quero ser condenada não! (afinal, paquerar o padre, mentir vez ou outra, ser adoradora da poligamia, pequenas safadezas, y otras cositas más, não deve ser assim tão grave…).
Com Eva ou sem Eva… o “negócio da China” é livrar-se das culpas. Essas sim são perigosas. Sem culpa não há condenação. Sem condenação não há passado que pese. E como disse a portuguesa Inês Pedrosa, no livro Nas Tuas Mãos, “ninguém tem culpa porque a culpa está em toda a gente e a irrealidade é eterna”. Culpa? Que culpa? A culpa está em toda gente! Virou commodities.
Antes que esse texto se torne um verdadeiro manual de auto-ajuda (Como se livrar do pecado original), devo citar mais um escritor (esse sim minha religião), o não menos “culpado” Oscar Wilde, que disse que o único encanto do passado está justamente em ser passado… Então, relax baby… vamos deixar Eva pagando pela teimosia, e nós… que continuemos livres do passado.
Encanto maior está no agora.
But, entretanto, consequentemente… pelo sim, pelo não… “perdoai-nos senhor das nossas ofensas. Amém”

K. - Incompletudes
* Crédito da imagem é daqui ó
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- Seu peso quando nasceu. (Não temos referencial de peso de bebês)
- Seu dia no trabalho. (Não conhecemos seu chefe, nem a vaca que divide baia com você. E na verdade não nos importa. A não ser que a vaca seja uma modelo bissexual. Ela é?)
- A melhor transa da sua vida. (Ficaremos querendo superar. Mas teremos preguiça)
- Seu recorde de transas no mesmo dia. (IDEM ao item anterior)
- Que era apaixonada pelo Polegar na adolescência.
- Que tinha desejo pelo seu primo. (Se ele foi do Polegar então…)
- Que “tem um carinha”. (Péssimo, sempre péssimo)
- Que sua irmã tem os seios mais perfeitos que você já viu. (Vamos adorar saber. Adorar demais)
- Que na sua casa era normal todos andarem pelados.
- Que você era hermafrodita. (Mas não deixe de dizer se ainda for)
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Odiamos e condenamos, mas o que mais fazemos nessa vida é julgar, e ainda que a possibilidade de absolvição exista, não é comum. Nosso comportamento natural é condenar. Porquê? Porque é mais divertido, instintivo e seguro. Toda pessoa é culpada até que se prove o contrário. Não enxergamos ninguém como tabulas rasas, que estão por ser escritas. Enxergamos todos poluídos de toda nojeira possível e imaginável. Tudo que já tenhamos visto pela frente pelo menos. O amor ingênuo, cego e surdo, até dá uma tapeada em certas ocasiões. Mas quando providos de raciocínio lógico, atravessamos a rua ao avistar qualquer estranho.
Então é bem claro, que acredito que o passado condena assim como absolve. O juiz pode ser mais leve ou mais rigoroso, atenuantes são considerados e acordos são costurados. Mas no fim do dia, todos saem com uma sentença.
No meu caso, o julgamento é daqueles de dar aflição. Sou um juiz casca grossa porém, imprevisível. Ao mesmo tempo que sou implacável ao sentenciar pena de morte, aceito sem resistência a apresentação da defesa.
Sou um idiota quando se trata desses assuntos. Por mim teria tido uma mulher na vida, ambos casaríamos virgens e só teríamos um ao outro pela vida toda. Se ficasse viúvo seria sozinho pra sempre. Obviamente tenho ciência de que isso é impossível e nem tento aplicar, mas dentro de mim ainda mora esse carinha, que acredita em amor pra sempre, alma gêmea, pureza, bla, bla, bla. Hoje sei que tudo isso é a mais pura bobagem. Não porque tenha deixado de gostar da idéia, e sim porque o mundo me ensinou à pauladas, que tais idais simplesmente não funcionam.
Você pode tirar um sonhador de um romance, mas não tira o romance de um sonhador. Portanto preservei certos valores lá da época que escrevia poesias deitado na cama. Uma das coisas que mais valorizo num relacionamento é o sentimento de ‘ser especial”. É isso que busco, me sentir especial e fazer alguém se sentir da mesma maneira. Quero que pelo menos para uma pessoa no mundo eu seja o mundo todo. E quero conseguir proporcionar isso também.
Mas não é fácil. Como se convencer que se é especial quando sabe que muitos caras já estiveram no seu lugar? Não é simples. Tem que se abstrair muito e enxergar o quanto você é diferente do passado. Depois disso, ainda tem que avaliar se é o bastante. Se com isso conseguirá transformar a vida da outra pessoa e ser transformado. Sem dúvida inúmeras mulheres marcaram minha vida, mas poucas me transformaram.
Quando penso nisso, enxergo tudo muito cinza. Já vi preto e branco antes, mas hoje não. Ás vezes o que parece escuridão total se mostra colorido com o passar do tempo. Com sorte, tão colorido que junta todas as cores. E só aí se enxerga claramente.
A justiça não é cega, mas com toda certeza é míope. De longe vê tudo embaçado e se guia por instinto. Só quando olha de perto é que consegue distinguir comportamento de caráter. Fase de personalidade. Página de livro.
Tags:condenação·justiça·passado
Ana Cecília foi se encontrar com o ex-namorado. Diz ela que não foi fácil se preparar para vê-lo novamente depois de tudo o que aconteceu. Decidida, ela não aceitou as desculpas e muito menos se comoveu ao vê-lo chorar de arrependimento.
Ainda muito triste, Ciça me conta que apesar disso, em nenhum momento deixou seus sentimentos tomarem conta da situação. Preferiu manter-se firme em sua decisão e pediu para ele não a procurar mais, pediu que a respeitasse pelo menos agora, já que ele não fez isso antes.
Ao contrário de muitas pessoas que são traídas, ela não quis saber quem era a outra mulher, muito menos quando ele havia começado a sair com ela. Nada disso interessa mais à Ciça, ela só foi ao encontro para pedir-lhe que não a procurasse nunca mais.
Numa traição, normalmente o traído busca de todas as maneiras entender o que se passou, busca por que? Cada um tem seus motivos, suas lógicas e sua maneira de superar uma dor tão forte quanto essa.
Tentar entender pode aliviar, porém pode ser uma grande armadilha. Quando uma pessoa é trocada por outra, tentar compreender gera apenas um sentimento, a culpa. Por incrível que possa parecer, quem foi traído sente muita culpa, pois entende que falhou em algum momento o que pode ser verdade, mas não necessariamente o é.
Ciça não errou, pelo menos na cometeu nenhum erro grave, de personalidade forte, ela está segura de que fez o melhor pela relação e nem isso adiantou. O ex-namorado não a respeitou, não levou em conta absolutamente nada, a não ser sua vontade de ter outra mulher.
Ana Cecília foi coerente, agiu conforme seus princípios e me diz que jamais perdoaria a traição, mesmo com todo o amor que sente por ele, mesmo acreditando que dificilmente terá uma relação tão forte com outro homem.
- Nossa relação era intensa em todos os sentidos.
Pergunto se eram carinhosos um com o outro e ela me responde evidentemente sem graça, porém rindo muito…
- Ah Marcelo, éramos muuuuito carinhosos, você nem imagina como… – ela volta a falar sério – não sei por que ele fez isso, tínhamos tudo, mas nem quero entender, agora preciso esquecer e continuar a vida.
Uma de suas preocupações é a seguinte: Sua melhor amiga é irmã do ex-namorado. Aliás, ela me contou que são amigas desde a infância quando estudaram juntas. Começar a namorar com o irmão da amiga foi um processo longo, pois ela não o via como homem até certo momento.
Ela o enxergava como irmão da melhor amiga, nada além disso, até que foram para a praia num final de semana e a troca de olhares transformou toda sua percepção. Como ele estava sempre com uma namorada à tira-colo, Ciça não o via como um possível pretendente. Porém, naquele fim de semana na casa deles, ela passou a se interessar justamente porque ele não havia levado ninguém. Passeios na praia, olhares profundos e troca de atenção, despertou neles algo mais. Foi ali, há pouco mais de três anos que tudo começou.
Parecia perfeito, aprovação de toda a família, melhor amiga feliz pelo irmão e pela melhor amiga estarem juntos, até que aconteceu tudo o que já vimos.
Agora ela está com outra preocupação porque nesse próximo sábado será aniversário de sua amiga e ela terá que vê-lo novamente. A festa será na casa de sua ex-sogra, e nossa protagonista ainda por cima está cuidando da decoração do ambiente, do jardim, enfim, está colaborando com a amiga para transformar o local. Local este que poderá trazer-lhe mais tristeza.
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Então … depende! Primeiro vou falar de mim.
No meu caso o passado condena sim. Muito! Mas antes que nossa amiga Pimentinha ache que eu estou querendo roubar o lugar dela, explico : Meu passado adolescente ME condena pelo que eu NÃO fiz. (Realmente acho bom parar pra pensar no que te condena antes de olhar pros outros …)
Ao contrário da humanidade em geral, não usei a minha adolescência pra ser rebeldinho, egoísta e inconseqüente. Naqueles tempos eu era sério, responsável e achava que seria engenheiro.
Isso me trouxe sérios problemas durante a vida. Pra começar na própria adolescência, onde eu me sentia relativamente deslocado e, deste modo, deixei de aproveitar vários dos momentos que toda “galera irada” curtiu (leia-se: eu quase não pegava ninguém).
Depois, na pós-adolescência, percebi que essa seriedade toda não ficava nem bem e aí tive que aprender (fora de época) uma série de manhas e procedimentos que já deveriam ser padrões (leia-se : eu já pegava alguém, mas tinha que suar sangue pra conseguir).
Daí por diante fui entendendo como as coisas funcionavam e tudo ficou bem mais divertido (leia-se: ufa … deu tempo!).
Somando-se esse aprendizado à evolução profissional e pessoal, me considero um cara bem diferente. Bem mais leve e interessante. Lógico que ainda guardo graves resquícios de “bom menino”, mas também já passei da fase de tentar negá-los. Sim, adoro abrir a porta do carro pra moça entrar. Sim, prefiro as mulheres que sabem ser bem tratadas (mesmo que só por uma noite). Sim, escovo os dentes depois das refeições.
Pago pena perpétua, mas é desse jeito que eu sou (e gosto de ser assim). Fazer o quê?
E quanto às outras, o passado as condena?
Falando do meu julgamento moral, não. Nem um pouco!
Assim como muitos homens são “galinhas” quando solteiros e totalmente fiéis quando comprometidos, acredito que existam muitas mulheres assim. Agradeço ter nascido numa época em que as mulheres podem gostar de sexo sem maiores problemas e culpas.
Pode ser difícil acreditar que um cara “de família” como eu não se importa com o passado dela, mas voltando à crônica da semana passada, fica fácil de se entender minha visão : o que condena uma mulher é ela ser uma grande filha da puta (cada vez mais acadêmicos, meus textos …). E já conheci mais de uma mulher assim que teve poucos homens na vida. Logo, pouca “rodagem” nunca foi sinônimo de boa índole.
Se começo a pensar em me relacionar seriamente com alguém, é porque acredito no caráter da pessoa e isso basta. Se ela é bem resolvida o suficiente pra ter aproveitado um monte enquanto estava solteira ou namorando outros caras, melhor pra mim. Precisarei tomar bastante catuaba com mel pra agüentar o tranco. (Mas o que a gente não faz por amor, não é?)
Acho que essa relação com o passado alheio também diz respeito à minha mudança pós-adolescente. Cada vez mais acredito que as pessoas que aproveitam muito a vida tendem a ser bem mais interessantes do que aquelas que vivem passando vontade (e muitas vezes recriminando os outros).
Isso não quer dizer que ao encontrar um “ex-” de uma futura namorada eu vá dar um tapão em suas costas sorrindo e gritando : “Ô Waldemar!! Incrível aquela parada com as perna pra cima que você ensinou pra Fulana na cama, heim?! Te devo essa!”.
Calma lá! Por mais que eu me considere liberal nesse sentido, não quero ter imagens mentais de uma namorada com qualquer outro ser do sexo masculino (lembrando o sábio Brunão : se for com outra mulher, podemos negociar …).
Assim sendo, tanto no meu caso, quando no das moças, o importante mesmo é que a pessoa não SE condene pelo seu passado. A partir do momento que você está bem resolvido com o que é, as coisas ficam bem mais fáceis. Daí por diante é só torcer pra as outras 21.813 variáveis serem compatíveis com o outro, que o relacionamento tende a funcionar. Simples assim. ☺
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