Era 1994, um divisor de águas na minha vida. Foi mais ou menos nessa época que percebi que se não mudasse minha postura não pegaria ninguém. Na vida. Vi que tinha que engolir minha timidez e censurar meu romantismo para poder evoluir. Mais do que isso, tinha que fazer algo essencial para conseguir ficar com alguém. Tentar beijar. Por mais simples que pareça, ter o princípio ativo não era nada fácil.
Foi nessa situação que subi no avião, com algumas notas do recém lançado “Real”, que valia um dólar. Me postei na minha cadeira até decolar, e depois foi só alegria. Andando pra lá e pra cá socializando com as pessoas. Ok, não por “culpa” minha, e sim do Marco Aurélio, um ano mais velho, cabeludo que impressionava as pequenas com papos sobre levitação. Ah os 15 anos…
Em certo momento me vi sentado na poltrona 27K. Do meu lado, na 27L estava Maria Fernanda. Ou Mafê como ela preferia. Mafê não era um primor de mulher, tinha um cabelo parecido com um xaxim, ancas de uma mulher que acabou de parir e o se vestia como o Liminha, ajudante de palco do Gugu. Ok, ela era “meio” feia. Mas e o papo, ela podia ser gente boa. Nhé. Não falava nada de interessante e ainda parecia não saber de suas limitações. Mas….estava ali. E deu mole.
A beijei com um selinho, e nada mais do que isso, prestes a pousar em Miami. Me senti um vitorioso. Tinha conseguido beijar alguém na raça, mesmo que essa pessoa fosse a mistura da Elza Soares com o Sérgio Mallandro. Alem do mais, quão matador era eu, peguei alguém antes de chegar nos Estados Unidos.
Foi bom ter aproveitado esses momentos, pois não ia pegar mais ninguém naquela viagem…
O que aconteceu foi que rapidamente a moça virou motivo de piada, afinal, Elza Mallandro né. E eu, rapidamente (quando digo rápido, quero dizer covarde) neguei qualquer envolvimento.
Não foi o bastante, minha imagem ficou manchada, e ainda que eu deva ter contado para alguém que peguei fulana ou ciclana, fiquei no 0 x 0. Nessa época eu mintia muito. Não me culpem, tinha 15 anos e era inseguro. O fato é que, mentindo ou não, assisti meus amigos se darem bem e fiquei chupando o dedo.
No último dia de viagem encontrei com a Carla na piscina do hotel. Carla era uma mocinha linda. Pequena, loirinha, com um estilo que escondia o quanto era linda. Mas na luz do refletor que ilumina o Doral Beach, eu enxerguei isso. Deitamos nas espreguiçadeiras e pela madrugada toda conversamos sobre tudo. Vida, morte, escola, futuro, paixões, erros. Na precisou muito para eu me apaixonar, mas traumatizado e de imagem manchada não tentei nada. Preferi não estragar a noite em que fingimos que adormecemos a luz do luar.
Voltei para o Brasil, trazendo junto a lembrança daquela noite e deixando a Maria por lá. Continuei conversando com a Carla, os papos continuaram ótimos e minha paixão na cessava. Quase um ano depois, no meu aniversário, ela se virou para conseguir vir a minha festa. Não lembro de muito que aconteceu naquele dia, meus olhos só conseguiam enxergá-la. Felizmente, após um delicioso jogo de olhares e uma iniciativa impulsionada pelo álcool, com uma lata de Guaraná Brahma na mão ela me puxou. Eu quase não acreditava, depois de um ano, depois da Elza Mallandro, depois do luar de mentira, finalmente eu conseguiria saber como era o seu beijo. Andamos pelo corredor lateral do prédio em direção a parte de trás do prédio, e assim que viramos a esquina me encostei na parede e puxei contra mim. Foi perfeito, e finalmente me senti o matador, não porque fui rápido, ou colecionei mulheres, mas porque construí uma das grandes histórias da minha vida.
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6 comentários postado(s) ↓
1 OYhbuDAr // set 8, 2010 at 23:09
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2 Pharmg282 // mar 3, 2010 at 20:04
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3 Pharmd244 // mar 3, 2010 at 20:03
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5 Ricardo // set 29, 2008 at 2:05
Gênios!! Muito bom (texto e comentário)!
6 MM // set 26, 2008 at 16:31
Fantástico… apesar de eu já conhecer a história, vc a escreveu melhor ainda…
Elza Mallandro é foda, mas saiba querido amigo, todos temos as nossas nessa longa carreira de matadores…
A minha foi uma tal de Ana Isabel… mistura nada saudável de: Anoréxica (com peitos) e Fidel Castro… por causa da barba e não pela ideologia…rs…
Detalhe…PIOR BEIJO da minha vida, pois a impressão que dava é que ela (Ela?) não tinha lingua… sem falar do bigode me atrapalhando… nem eu tinha barba naquela época…
Dura essa vida de matador que atira pra todo lado…dura… bem dura…
MM
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